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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

Sítio de Cheira Ventos suas Quintas, Ermidas e Capelas (1)

08.11.20, os amorenses
Sítio de Cheira Ventos suas Quintas, Ermidas e Capelas (1)
O sítio de CheiraVentos, um dos três pequenos lugares que no século XVIII pertenciam à freguesia de Amora, teve, à semelhança do Rocio de Amora, quatro quintas constituídas por diversos prazos ou foros vinculados a Morgados e Capelas. O principal dos quais dos Lobatos, que aqui viveram entre os séculos XVII e XIX, quando se extingue o vinculo e a propriedade é vendida ao Infante D. Augusto, que aqui edifica um novo palácio.
"O foro do Morgado do Mestre Pedro (da Casa do Visconde de Vila Nova de Cerveira) fora originalmente uma «courela de vinha em Amora» adquirida por Mestre João das Leis e sua mulher Constança Afonso no ano de 1357 (século XIV) e que em 1416 (século XV) aparece como uma «vinha da Canseira ou da Ribeira e casa na Amora Velha».
 
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No século XVI (1501 -1600) era proprietário em CheiraVentos Sebastião Pires, onde tinha um foro do Morgado do Mestre Pedro, que Estêvão de Brito lhe emprazara em 1527, constituído por uma vinha e uma casa situadas em Amora Velha, que depois se chamaram CheiraVentos ou Fazenda do Serrado de Dona Branca.
 
"Em 1607 (século XVII) este mesmo serrado era constituída por «vinha com casa térrea, laguar de vinho e a de gua, e com seu logradouro de meio», sendo o foro remido em 1745 por Domingos Lobato Quinteiro.
"Era também proprietário em CheiraVentos Sebastião Fernandes de Barros Cayado, pai de Inês de Barros, mulher de Simão Lobato Quinteiro. "Este Sebastião vinculou uma vinha dentro da sua Quinta de CheiraVentos a uma obrigação perpétua de duas missas cada ano na Igreja de Amora, onde foi sepultado em 1578." 'Simão Lobato Quinteiro, Capitão de Naus da Índia, natural da Quinta das Lobatas e casado com Inês de Barros Fernandes, edifica ou reconstrói casas nobres no sítio de CheiraVentos, acrescentando-lhes em 1620, a sul destas ,uma Ermida dedicada a S. JoãoBaptista.

"O mesmo Simão Lobato Quinteiro vem a casar, depois da morte da primeira mulher em 1633, com Maria Soares, de quem teve 3 filhos: João, Domingos e Francisco; que nas Beiras e no Alentejo revelaram bravura no período da Guerra da Restauração. Esta Maria Soares, depois da morte do marido, vincula a sua terça dos bens de Cheira Ventos, que incluíam «casas nobres que estão onde chamam Cheira Ventos, termo de Almada, junto das quais está uma Ermida de S. João Baptista, que parte de uma banda com casas dos Lobatos e tem junto a si outras casas», a uma Capela e Morgado que ficou conhecido pelo «Morgado dos Lobatos», com a sepultura na Igreja de Amora e Fundação estabelecida em 3 de Setembro de 1659." " Os sucessores deste Morgado, embora vivessem a maior parte do tempo em Lisboa, sobretudo a partir do séc.XVIII quando exercem cargos na Corte, continuavam muito ligados à Amora, sendo muitas vezes Juízes das suas Irmandades. Como terramoto de 1755 uma das casas nobres arruinou-se e em 1767 já se achava transformada em adega" 'Após várias incidências, incluindo a confiscação de bens por dividas, os bens do morgado são desvinculados em 1861 e vendidos em 1882 por Francisco Lobato Quinteiro de Barroso Faria, último morgado, e seu filho, ao Infante D. Augusto."
 
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Paço do Infante
 
Logo após a aquisição pelo Infante D. Augusto da Quinta de CheiraVentos, cujas casas nobres se encontravam bastante arruinadas, e a ermida já desaparecida, começa-se a tratar da medição da obras de uma nova casa e alguns recibos são passados em nome de Frederico Kessler, Barão de Kessler e Secretário Particular do Rei D. Fernando, Eng.? Civil pela Escola de Belas Artes e Manufatura de Paris, contudo a superintendência da obra será do Sr. Paulo Lauckner e a construção do Construtor Jorge Ferreira da Silva.
 
Entre 1882 e 1886, o Infante D. Augusto promove a edificação na Quinta de CheiraVentos de um «Palácio moderno com rez-do-chão,1.°e dois andares, tendo próximo e ao lado de um grande páteo e na entrada um portão de ferro», junto com outras melhorias, como por exemplo a construção de um novo poço. Alguns dos mestres intervenientes nas obras do Palácio do Infante foram o estucador e pintor Domingos António da Silva Meira," 'os canteiros José Moreira Rato (casa), Germano José de Sales (lagar), ferreiros e serralheiros Herculano José de Almeida, de Cacilhas (portões), Francisco António Nunes, de Almada (nora de ferro), Luiz e Isidoro Arcelus, do Seixal (balcão, gradeamento do torreão, escadaria, caracol, gradeamentos).
 
"Outro aspecto interessante da intervenção do Infante é a aquisição em 1885 de diversas espécies vegetais ao Estabelecimento de Floricultura de Pedro da Costa (trepadeiras, coníferas, roseiras, e outras espécies raras).
"Em 1886 instala-se um original torreão cuja construção é da responsabilidade de Francisco Pírmino Correa Fernandes. "Este torreão será depois destruído, ao que se conta por uma tempestade, sendo depois construído o actual torreão quadrangular pela firma A. Silva e Silva, já nos anos 40 do século XX.
 
Foram entretanto adquiridas outras propriedades,"sendo a Quinta de CheiraVentos em 1886 constituída por «adega, pátio, palácio, cozinhas, casa dos poldros, palheiro, seleiro, casa da malta, casa da egoas, guarda pombal, casa do caseiro, casa do lagar, tanque grande, pilares do poço» e era murada em redor."
 
fonte: Rui M. Mendes - A Sul do Esteiro: três Sítios e Quintas históricas entre Corroios e Amora: Do Castelo em Corroias, Da Princesa no Rocio de Amora e Do Paço do Infante em CheiraVentos https://www.academia.edu/4087570/_A_sul_do_esteiro_-_tr%C3%AAs_s%C3%ADtios_e_quintas_hist%C3%B3ricas_entre_Corroios_e_Amora_do_Castelo_em_Corroios_Da_Princesa_no_Rocio_de_Amora_e_Do_Pa%C3%A7o_do_Infante_em_Cheira-Ventos_