Terrenos da Freguesia de Amora que até 1834
07.11.20, os amorenses
Terrenos da Freguesia de Amora que até 1834 tinham pertencido ao Convento do Carmo são agora pertença da Fazenda Nacional
Segunda feira, 24 de Agosto de 2020

1.º - Um terreno de sapal, no sítio do Moinho de Corroios, o qual parte (confronta) do Norte e poente com a Quinta do Rouxinol, sul e nascente com mar salgado, avaliado em quatro mil reis e seu rendimento de foro quatrocentos réis.
2.º - Outro dito, no mesmo sítio e parte do poente com caminho de serventia para o moinho acima dito, norte com Quinta do Rouxinol, sul e nascente com mar salgado, avaliado em oito mil réis e seu rendimento de foro oitocentos réis.
3.º - Outro dito, no mesmo sítio, o qual parte pelo Norte e nascente com mar salgado, sul com brejo de Domingos Afonso e poente com caminho que vai de Santa Marta para o dito moinho, avaliado em quatro mil réis e seu rendimento de foro quatrocentos réis.
4.º - Outro dito, no sítio do Carrasco, o qual parte do norte, nascente e sul com mar salgado e poente com fazenda de António Marques Pequeno, avaliado em seis mil réis e seu rendimento de foro seiscentos réis.

Frade Carmelita
5.º - Outro dito, no mesmo sítio, o qual parte do norte e nascente com mar salgado, sul com o Porto do Carrasco e poente com fazenda de Domingos Afonso, avaliado em dois mil réis e seu rendimento de foro de duzentos réis.
6.º - Outro dito, no sítio da Ponta do Talaminho, o qual parte de norte e nascente com mar salgado, sul com Quinta da Barroca e poente com a dita Quinta e fazenda de D. Ana Máxima, avaliado em dois mil réis e seu rendimento de foro duzentos réis.
7.º - Outro dito, na Praia da Barroca, o qual parte do norte e nascente com mar salgado, sul com a Quinta da Atalaia e poente com a Quinta da Barroca, avaliado em cinco mil réis e seu rendimento de foro quinhentos réis.
8.º - Outro dito, no sítio da Fonte da Prata, o qual parte do norte com horta de D. Ana José de Figueiredo Moreira, sul e nascente com mar salgado e poente com caminhos públicos e a fazenda de Manuel José da Costa, avaliado em dois mil réis e seu rendimento de foro duzentos réis.
9.º - Outro denominado o Sapal das Lobatas, o qual parte de norte e nascente com mar salgado, sul com o Porto da Raposa e poente com as Quintas de Domingos António Francisco da Silva, da Maria Pires, e do Conde, avaliado em seis mil réis e seu rendimento de foro seiscentos réis."

Marco de divisão de propriedade pertencente ao Convento do Carmo
Dizia ainda mais o referido documento, que parte do terreno n.º 4, já estava apessoado, nesta altura, por Domingos Afonso; e, portanto, se devia saber o motivo por que este senhor estava na posse do mencionado terreno, uma vez tratar se de uma propriedade da Fazenda Nacional.
Neste mesmo documento, embora já pertencente à freguesia de Arrentela, refere-se também como tendo pertencido aos frades do Carmo: "Um terreno no sítio da fábrica denominada da Lã, o qual parte do norte com mar salgado, sul com brejo da dita fábrica, nascente com a vala do moinho denominado "o Pequeno" (azenha de água doce, na vala do Judeu) e poente com vala que vai do mar para a dita fábrica, e que hoje serve de desembarque à mesma". Diz-nos mais, que: "Este terreno está hoje na posse da mencionada fábrica e, portanto, se deve saber porque título, sendo o mesmo avaliado em oito mil réis e seu rendimento de foro oitocentos réis."
No caso desta última parcela de terreno, ficava a mesma no local onde, também desde finais do século XV, se tinha instalado a caldeira e o Moinho de Maré da Raposa, e ainda em tempos mais recuados a "Marinha das Vacas", salina que remonta aos tempos medievais.
Em princípios do séc. XIX, em tempos anteriores à expropriação das Ordens Religiosas, uma das principais quintas desta freguesia de Amora era exatamente a "Quinta dos Frades do Carmo", situada em propriedade anexa ao Moinho Maré de Corroios e hoje designada por Quinta do Brasileiro.

Pedra da Ordem dos Carmelitas
Nesta época, também o Porto do Carrasco era propriedade dos referidos religiosos, que tinham inclusivamente uma casa de apoio associada ao mesmo, no sítio de Santa Marta de Corroios.
Em documento datado de 1870, dirigido por Domingos Afonso, proprietário da Quinta do Castelo, ao senhor Presidente da Câmara Municipal do Seixal, podemos ler o seguinte:
"Relativamente ao terreno do Carrasco, em Santa Marta de Corroios, tenho a dizer a Vossa Excelência que aquele terreno sempre foi dos frades do extinto convento do Carmo, e nunca dessa ilustríssima Câmara; quando Joaquim Homem da Rocha o tomou de aforamento não foi legal; portanto tendo eu comprado à Fazenda Nacional todos os terrenos e foros contíguos com a maré, assim como o moinho (de Corroios), com todos os seus logradouros, visto está que, essa ilustríssima Câmara nada ali tem, mesmo porque os frades davam aquele Porto do Carrasco por sua livre vontade, para o povo se servir, pedindo contudo licença ao religioso que ali costumava estar na Quinta, (dos frades do Carmo) que hoje se chama do Brasileiro, e o mesmo acontecia com o porto de que está do lado do Norte do meu moinho." (de Corroios).
Por tudo quanto ficou descrito e citado se pode ver que, para além das famílias aristocráticas, foi extremamente importante o papel da Ordem do Carmo no desenrolar da história, da freguesia de Amora, desde 1404 a 1834, ou seja, durante mais de quatro séculos.
fonte: “Amora Memorias e Vivencias d’Outrora” do Prof. Manuel Lima