Totalimento - Fábrica das Farinhas de Peixe
A "TOTALIMENTO", A FÁBRICA DAS FARINHAS DE PEIXE

A 20 de Dezembro de 1964, a "Totalimento, Exportação e Importação de Produtos Alimentares, Lda.", adquire as antigas instalações da fábrica "Mundet e C.", Lda.", em Amora.
Esta firma, cujos donos se dizia então serem do Algarve, pretendia, nesta zona ribeirinha, e aproveitando os cais fluviais para carga e descarga, fabricar essencialmente farinhas de peixe para alimentação de gado. Há quem refira também adubos orgânicos para fertilização das terras.
A sede da Administração desta empresa era na Rua dos Condes de Monsanto, n." 4, 2.º esquerdo, em Lisboa, sendo seus administradores Armindo Vieira, Sousa Gomes e Simões Ferreira. O representante da Administração nas instalações de Amora era o Senhor António José Frade.
Segundo relatos da época, fabricando esta indústria produtos confeccionados à base de peixe (muitas vezes já deteriorado), ossos, cascas de ostras, etc., o cheiro que libertava era nauseabundo e pestilento, que em certas ocasiões, consoante a direção do vento, se propagava através de vasta região, penetrando no interior das habitações, das escolas ou das lojas, tornando o ar irrespirável.
A 11 de Julho de 1965, o jornal Tribuna do Povo escrevia em título de primeira página: "Se não forem tomadas medidas urgentes, a Amora ficará deserta."

As zonas mais afetadas pelos cheiros eram aquelas que ficavam mais próximo da fábrica, como era o caso da Rua Conselheiro Custódio Miguel Borja, Rua dos Operários, Rua Fonte da Prata, Rua Marechal Gomes da Costa, Rua 28 de Maio, Bairro dos Corticeiros e Quinta do Brigadeiro.
A população de Amora, em protesto por se ter instalado uma fábrica como está no meio da povoação, a 13 de julho de 1965, fez uma exposição à Câmara Municipal do Seixal, com um abaixo-assinado de 390 assinaturas, pedindo providências. Pretendia-se a proibição da laboração da fábrica e a sua transferência para um local isolado.
A 8 de Agosto de 1965, a administração da fábrica defendia-se em carta aberta publicada pelo mesmo jornal "Tribuna do Povo", dizendo que estava a fazer diversas alterações no sistema de fabrico para resolver a situação.
Tendo em conta os riscos para a saúde pública, em Outubro de 1965, o governo da nação reconheceu que eram justos os protestos do povo de Amora, relativos aos cheiros insuportáveis provenientes da fábrica "Totalimento" e emitiu parecer contrário à concessão de alvará de licença para o seu funcionamento.
Apesar disto a Administração da fábrica, persistente, continuou a lutar pela sua permanência no local, o que foi conseguindo, pois no Verão de 1969 ainda se escrevia no jornal Tribuna do Povo: "Aguenta Amora, voltou o pivete da farinha de peixe."
De qualquer forma, este estado de coisas não se manteve por muito mais tempo, acabando por prevalecer o bom senso e, a fábrica fechar passados cerca de 5 anos após a sua reabertura.
Fonte: “Amora Memórias e Vivências D’Outrora do Prof. Manuel Lima