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As Raizes de Amora

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

As Raizes de Amora é um espaço dedicado ao reencontro de amorenses, sua história, cultura e memórias.

Um mártir da Liberdade - o Amora

10.11.20, os amorenses
Um mártir da Liberdade - o Amora
 
 

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Caetano Alberto de Borja, filho de Francisco Borja Lourenço e de Rosa Maria de Jesus, nasceu na Amora, em Setembro de 1782.

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Assentou praça, no regimento de Gomes Freire de Andrade, aos 13 anos. Em 1801 já era cadete quando participou na Guerras das Laranjas (que levou à perda de Olivença).
Em 1809 encontramo-lo no Regimento de Voluntários Reais de Milícias a pé de Lisboa Oriental (vd. Gazeta de lisboa, 26/12/1809). Sob as ordens do tenente-general Manuel de Almeida e Vasconcellos, instruiu as companhias de caçadores que se formaram na Península de Setúbal e participou na defesa das linhas de Torres.
Em 1817, é acusado de participar na conspiração de Gomes Freire de Andrade e mandado prender, mas foi avisado a tempo, fugiu para a serra da Arrábida – onde se manteve escondido durante quarenta meses “como sepultado” - e assim, escapou à sentença de degredo para Angola a que foi condenado à revelia. Depois da Revolução de 1820 é amnistiado e reintegrado na comissão que tinha antes da acusação que lhe foi feita.
Contudo, em 1827 regressam os problemas:

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Apesar da Justiça o ter considerado inocente é demitido por D. Miguel em 1828. Começava então a guerra civil que opôs D. Miguel a D. Pedro (absolutistas/liberais). Caetano Alberto de Borja, conotado com os liberais mais uma vez, andou escondido, tendo sido preso preso em Abril de 1829 tendo ido inicialmente para o Limoeiro e mais tarde para o Forte de S. Julião da Barra onde se encontrava quando se deu a vitória das forças liberais na Batalha de Cacilhas (de que já falei numa Nota anterior). Esteve presente nos combates que haveriam de conduzir à vitória dos liberais e à aclamação de D. Maria II.
Em 1837 é nomeado capitão adido do forte de Almada. O tempo de prisão pesava no seu estado de saúde e esta terá sido a forma de lhe garantir um lugar honroso tendo em consideração o seu passado.Caetano Alberto Borja, conhecido por “o Amora” morreu em Lisboa em 19 de Novembro de 1849. Morreu pobre. O seu funeral foi pago por subscrição publica e a sua viúva precisou de esperar, oito anos, para que lhe fosse paga uma pensão de sobrevivência.
Caetano Alberto de Borja, o Amora, foi um lutador que injustamente se perdeu nas brumas da memória. Em qualquer outro lugar a sua vida de sobressaltos e sacrifícios, em nome da Liberdade, seria motivo de orgulho.
 
Nota: a imagem escolhida é uma caricatura da época representando a luta entre os dois irmãos reais pelo trono de Portugal.
Uma luta que marcou a vida de Caetano Alberto de Borja, o Amora.