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A resposta que o vigário Sebastião Roiz [Rodrigues] Rogado enviou ao inquérito Pombalino, em 1758 está de acordo com um formulário preciso composto por vinte e seis capítulos, cada um respondendo a questões específicas que permitiram à administração central (ainda incipiente) conhecer cada paróquia.
A análise de cada uma das “Memórias Paroquiais” e, o seu conjunto são o melhor retrato que poderíamos dispor da sociedade portuguesa no séc. XVIII. Esta documentação tem sido amplamente citada por estudiosos da história local e, ao lê-la não esperava grandes surpresas.
O responsável pela paróquia da Amora faz uma descrição geral da freguesia: da sua terra, das suas gentes, dos recursos económicos, do estado dos edifícios religiosos e da sua administração. O capítulo 6.º, sobre a Igreja Paroquial, está bastante esborratado, mas o seu sentido é claro: este é o edifício mais antigo da região dado que a sua fundação remonta ao tempo do imperador Constantino Magno (séc. IV d. C).
Esta revelação leva-me a questionar o destino da lápide onde estava a inscrição epigráfica. Ela não foi referida por Frei Agostinho de Sta. Maria, no início do séc. XVIII, terá sido descoberta em virtude da destruição provocada pelo terramoto? E que lhe aconteceu posteriormente, uma vez que não volta a ser referida?
A informação poderia ser verídica? Que se passou na região de Amora no séc. IV?
Nessa época havia uma olaria no local que hoje se denomina Quinta do Rouxinol. O sítio arqueológico revelou fornos, cerâmica variada e moedas do tempo do imperador Constantino I [Magno] …
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Posto isto, parece-me que a afirmação de Sebastião Rogado merece a nossa atenção porque pode ser verídica. Aliás, com base nela pode-se mesmo formular a seguinte hipótese:
- o local onde se situa a Igreja N.ª Sr.ª de Monte Sião, foi provavelmente um santuário pré-romano, que sofreu sucessivas metamorfoses até albergar o conjunto arquitectónico e religioso que hoje conhecemos.
Se assim for, estamos a falar de um local de culto muito antigo cuja história estamos agora a redescobrir.
Vd.: Raposo, Jorge - Quinta do Rouxinol, uma olaria romana no estuário do Tejo, 2009;